Entrevista

Antes de a Mustique Gourmet ganhar forma em Tavira, já existia na cabeça de João Pedro Meira e dos pais uma ideia clara: criar um espaço onde Portugal pudesse ser visto com tempo, intenção e beleza.

Comunicador por natureza e com experiência no universo do luxo, João Pedro regressou ao sul com a vontade de transformar memória em narrativa e território em curadoria.

Nesta conversa, fala sobre o regresso, a família, o ritmo de Tavira e a visão que dá alma e direção ao projeto.

João Pedro Meira

a bridge over a body of water with a building in the background

"Quero que sintam que entraram num lugar onde o tempo abranda e onde tudo foi escolhido com intenção. Mas, acima de tudo, quero que venham à descoberta"

Porquê o nome Mustique Gourmet?

O nome Mustique Gourmet vem dessa ideia de refúgio. Nos anos 70, para muitos que viviam em Londres — artistas, criativos, gente que precisava de respirar — a ilha de Mustique era um paraíso onde se escapava ao ritmo frenético da cidade. Um lugar de luz, descanso e verdade. Quando penso na nossa família, vejo um paralelismo natural: também nós deixámos Londres em busca de tempo, simplicidade e propósito. Rumámos ao sul, à luz do Algarve, para criar um espaço onde a vida abranda e onde o melhor de Portugal pode ser celebrado com calma. A Mustique é isso — não a ilha, mas o sentimento de encontrar um lugar onde finalmente se pode existir com autenticidade.

O que te fez querer criar este projeto com os teus pais?

A Mustique Gourmet é, acima de tudo, um projeto de família. Os meus pais sempre foram o meu eixo — e este espaço é a continuação natural da nossa história. Cada um traz algo essencial: a sensibilidade estética da minha mãe, o sentido de território e proximidade do meu pai, e a minha visão editorial. Juntos criámos um lugar que não é apenas comercial: é emocional, é identitário, é nosso.

O que significa “curadoria” para ti dentro da Mustique Gourmet?

Curadoria, para mim, é tudo o que acontece antes de o produto chegar à prateleira. Não trabalhamos com grossistas, trabalhamos marca a marca — mais de 50, escolhidas individualmente. Há um trabalho de pesquisa intenso, quase obsessivo, para encontrar os melhores dos melhores: produtores discretos, projetos esquecidos, marcas que merecem um palco e uma narrativa à altura. A Mustique Gourmet não é um catálogo; é um filtro. Cada coisa que entra aqui responde a uma pergunta simples: isto representa o Portugal que queremos celebrar?

"Há um trabalho de pesquisa intenso, quase obsessivo, para encontrar os melhores dos melhores"

E o futuro?

O futuro da Mustique Gourmet passa por crescer com calma, com coerência e com fidelidade ao território. Queremos aprofundar a curadoria, criar experiências, dar palco a produtores e continuar a ser um refúgio, para quem vive aqui e para quem nos visita. A Mustique Gourmet não é um fim; é um caminho que estamos a construir em família.

O que esperas que as pessoas sintam quando entram na Mustique Gourmet?

Quero que sintam que entraram num lugar onde o tempo abranda e onde tudo foi escolhido com intenção. Mas, acima de tudo, quero que venham à descoberta — que encontrem produtos de excelência que nunca tinham visto, projetos discretos que merecem palco, sabores que surpreendem. Ao mesmo tempo, desejo que haja um reencontro: com marcas históricas que fazem parte da nossa memória coletiva, como a Pasta Couto, que nos devolvem um Portugal familiar e afetivo. A Mustique Gourmet vive nesse equilíbrio entre o novo e o nostálgico, entre a descoberta e a lembrança.

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Produtos de excelência, mais de 60 marcas. Os pequenos produtores, a agricultura biológica, às castas velhas.

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